Quando a paixão ultrapassa limites, o que deveria ser celebração se transforma em ruído — e precisamos falar sobre isso.
Há algo de profundamente bonito em um fanmeeting. É o momento em que a tela deixa de ser fronteira e se transforma em ponte. Quando o ator que nos emocionou em tantas noites finalmente respira o mesmo ar que nós, a experiência ganha contornos quase mágicos. Foi assim quando Kang Tae-oh esteve no Brasil, trazendo na bagagem o carinho conquistado em trabalhos como Uma Advogada Extraordinária. Mas o que deveria ser um encontro de afeto acabou revelando uma reflexão necessária.
Durante o evento, algumas fãs, posicionadas do outro lado do auditório, começaram a gritar repetidamente em português para que ele se aproximasse. Ele seguiu conduzindo a apresentação com educação e profissionalismo, mas os gritos constantes impediram parte do público de ouvi-lo. O clima mudou. O encantamento deu lugar ao constrangimento. E ali, no meio daquela tensão, surgiu uma pergunta inevitável: quando o amor vira desrespeito?
A cultura dos fanmeetings na Coreia do Sul é marcada por organização, silêncio atento e uma etiqueta quase ritualística. Existe emoção, claro, mas há também consciência coletiva. O artista está ali para todos. Quando alguém monopoliza a atenção ou rompe o fluxo do evento, não atinge apenas o ator — atinge cada pessoa que aguardou meses por aquele momento. Amar também é saber dividir.
Não se trata de julgar sentimentos. A emoção é legítima, o entusiasmo é compreensível. Quem nunca sonhou em ser notado pelo artista que admira? Mas existe uma linha delicada entre querer ser visto e impedir que os outros vejam. Entre chamar atenção e silenciar o espetáculo. Respeito é maturidade emocional. É compreender que o ídolo não nos pertence — ele compartilha seu tempo, sua energia e sua presença.
Talvez esteja na hora de amadurecermos como comunidade. Se queremos que mais artistas asiáticos escolham o Brasil como destino, precisamos mostrar que sabemos receber. Que nossa paixão é intensa, mas também consciente. Que nosso amor não é barulho — é apoio.
Que este episódio nos convide à reflexão. Amar é celebrar juntos. É ouvir, é esperar, é entender limites. Que no próximo encontro, nossa voz seja aplauso — não interrupção.
E você, como enxerga essa linha entre emoção e respeito? Compartilhe sua opinião e vamos construir juntos um fandom mais forte, acolhedor e admirável.
Até semana que vem!!
Marcela Fábio
CEO e Editora Chefe
Imagem: Divulgação
