Existe uma música na Coreia que não pertence a um artista, não pertence a uma geração e nem a uma época específica. Ela pertence ao povo. Essa música se chama Arirang.
Falar de Arirang não é falar apenas de música. É falar de história, de saudade, de separação, de reencontros e, principalmente, de identidade. Durante séculos, essa canção foi passada de geração em geração, cantada por pessoas comuns, trabalhadores, famílias, soldados, pessoas que partiram e pessoas que ficaram. Por isso, Arirang não é apenas uma melodia tradicional — ela é quase um sentimento coletivo.
A música fala, em muitas de suas versões, sobre alguém que vê a pessoa amada partir. Não há raiva, não há revolta. Há tristeza e um desejo silencioso de reencontro. É uma canção sobre deixar alguém ir, mas ainda assim desejar que um dia essa pessoa volte. Esse sentimento de saudade e esperança ao mesmo tempo é o que tornou Arirang tão importante ao longo da história coreana.
Mas o peso dessa música vai muito além de uma história de amor. Arirang esteve presente em momentos muito difíceis da história da Coreia. Foi cantada em períodos de ocupação, em tempos de guerra, em momentos de resistência e em períodos de dor coletiva. Muitas vezes, cantar Arirang era uma forma de lembrar quem eles eram quando tudo tentava apagar sua identidade.
Por isso, Arirang acabou se tornando um símbolo de pertencimento, de memória e de resistência cultural.
Filmes que ajudam a entender o significado de Arirang
Para quem quer entender emocionalmente o que Arirang representa para a Coreia, dois filmes ajudam muito a compreender esse contexto histórico e emocional.
A Última Princesa (The Last Princess, 2016)
O filme conta a história da última princesa da Coreia, que foi levada para o Japão durante o período de ocupação e passou anos longe de seu país. É uma história sobre saudade da terra natal, identidade e o desejo de voltar para casa — sentimentos muito presentes na canção Arirang.
Disponível gratuitamente no streaming Plex (Brasil).
Esse vídeo tem legenda em português desde que esteja configurada no seu YouTube.
A Resistance (2019)
Esse filme mostra a história de jovens coreanas presas durante o período da ocupação japonesa por participarem do movimento de independência. Em uma das cenas mais marcantes, prisioneiras começam a cantar Arirang dentro da prisão como forma de resistência e esperança.
Infelizmente este filme não está disponível em streaming no Brasil atualmente.
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Esses filmes ajudam a entender que Arirang não é apenas uma música antiga. Ela representa saudade, resistência, identidade e esperança.
Por que o BTS resolveu resgatar Arirang
Quando o BTS decidiu trazer Arirang como conceito e referência para essa nova fase, a escolha não foi aleatória. Foi uma escolha simbólica.
Depois de mais de uma década de carreira, sucesso mundial, mudanças na indústria, projetos solo, serviço militar e anos longe dos palcos como grupo completo, eles voltaram em um momento completamente diferente da própria história. Mais maduros, mais conscientes e com uma trajetória que já faz parte da história da música.
Resgatar Arirang é, de certa forma, voltar às origens.
É lembrar de onde vieram antes de conquistar o mundo.
É falar sobre identidade em um momento de recomeço.
É falar sobre separação e reencontro — exatamente o que aconteceu entre o grupo e o público nesses últimos anos.
Arirang fala sobre saudade, sobre esperar, sobre reencontrar, sobre continuar caminhando mesmo depois de tempos difíceis. E talvez nenhuma música explicasse melhor o momento que o BTS vive agora.
No fim, o resgate de Arirang parece dizer uma coisa muito simples, mas muito forte:
Você pode atravessar o mundo inteiro,
mas nunca deixa de pertencer ao lugar de onde veio.
Eu amei todas as músicas, tenho a minha preferida que se fosse no vinil já estava furada que é “Into the Sun” além da letra sua atmosfera traz algo dos anos 70/80 com uma pegada soul bem sutil, o que eu amo muito e claro que tem o “dedo” do V né?
Confesso que fiquei receosa quando eles foram para os EUA trabalhar nas músicas pensei que seria mais um PTD, Butter ou Dynamite, que ótimo que errei, realmente eles trouxeram aquele BTS do inicio, cheio de coisas engasgadas para falar e enaltecer.
E você Army o que achou do álbum? Fique por aqui porque trarei mais coisas sobre esse comeback histórico.
Até o próximo post!!
Marcela Fábio
CEO e Editora Chefe
Imagem: Divulgação
