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Resenha – A Grande Inundação: quando o fim do mundo vira um teste de humanidade

Resenha A Grade Inundação

Um apocalipse aquático que não pergunta quem sobrevive, mas quem aprende a sentir.

Lançado recentemente na Netflix, A Grande Inundação chegou dividindo opiniões. Parte do público esperava um filme de desastre direto; outra parte saiu confusa com o final e com a estrutura da narrativa. O que o filme propõe, porém, é algo mais complexo: usar uma catástrofe global como porta de entrada para uma história sobre emoções, aprendizado e repetição.

É um filme que não se entrega de imediato. Ele pede atenção, paciência e, principalmente, disposição para aceitar que nem tudo será explicado de forma tradicional.

Sinopse COM spoilers

A história começa de forma íntima: uma mãe e um filho em um apartamento no terceiro andar de um grande complexo residencial. Está chovendo forte. O menino fala sobre nadar em uma piscina que não existe. Pouco depois, a água começa a invadir o prédio com uma velocidade impossível para uma inundação comum.

Essa mãe é An-Na, cientista e figura-chave em um projeto secreto. Conforme a trama avança, entendemos, por meio de flashbacks, que o menino não é seu filho biológico. Ele é um protótipo de um novo tipo de ser — um corpo sintético criado para herdar emoções humanas reais. An-Na teve a ideia de permitir que uma dessas crianças crescesse como um ser humano, acreditando que emoções não podem ser simplesmente programadas.

Durante a tentativa de fuga do prédio, An-Na enfrenta uma série de situações-limite: crianças presas, pessoas em trabalho de parto, escolhas rápidas entre ajudar ou seguir em frente. Ela chega ao topo e é resgatada, mas precisa deixar o menino para trás. Apenas a “memória emocional” dele é levada com ela.

Mais tarde, já fora da Terra — que foi praticamente destruída por ondas gigantes após a queda de um meteoro — An-Na percebe que vai morrer quando a nave é atingida. Antes disso, pede que sua mente seja inserida em uma grande simulação responsável por aperfeiçoar as emoções humanas nos novos corpos.

É nesse ponto que o filme se revela por completo: tudo o que acompanhamos se transforma em um loop de simulação, repetido milhares de vezes. An-Na revive o mesmo dia, enfrentando novamente os testes de empatia, até aprender a não abandonar, a não fugir, a escolher diferente. O menino, consciente do loop, espera por ela todas as vezes, acreditando na promessa de que ela voltaria.

O ciclo só se completa quando An-Na finalmente atravessa a simulação sem abrir mão do filho. O final sugere um retorno à Terra, agora habitável novamente, com outras naves e a possibilidade de um recomeço — não com humanos como antes, mas com algo que aprendeu com eles.

Análise dos personagens principais

An-Na é uma protagonista construída pela contradição. Cientista brilhante, mas emocionalmente insegura, ela não nasce mãe — ela se torna. O filme deixa claro que o vínculo não é imediato nem idealizado. Ele se forma no cuidado repetido, na convivência e, principalmente, no erro.

O menino é mais do que uma criança em perigo. Ele representa o objetivo do projeto e, ao mesmo tempo, sua maior falha: alguém que já nasce com emoções, mas precisa aprender a lidar com a espera, com o abandono e com o tempo de forma muito mais dura do que um humano comum.

Personagens secundários

Os personagens que surgem ao longo da simulação funcionam como testes práticos de empatia. A criança presa no elevador, a mulher em trabalho de parto, o homem que fala sobre ter sido abandonado pela própria mãe — todos existem menos como indivíduos e mais como situações que exigem resposta emocional.

Eles não são aprofundados porque não precisam ser. Seu papel é medir até onde An-Na consegue evoluir emocionalmente.

Aspectos técnicos

A direção de Kim Byung-woo equilibra bem espetáculo e intimismo. As ondas gigantes impressionam pela escala, mas o foco permanece nos espaços fechados e nos rostos, reforçando a sensação de repetição e aprisionamento.

A fotografia usa tons frios e iluminação controlada, enquanto a trilha sonora é contida, surgindo apenas para sublinhar momentos-chave. O roteiro não apostou na repetição como linguagem narrativa, destacando apenas algumas cenas mostrando aos espectadores a repetição das situações até a protagonista entender o que deveria fazer para recuperar seu filho, o que não tornou a sequencia cansativa, como acontece em outros filmes com a mesma temática.

Análise crítica pessoal

A Grande Inundação não é um filme sobre salvar o mundo, mas sobre aprender a sentir corretamente. A catástrofe é o pano de fundo; o verdadeiro experimento acontece dentro da simulação. O filme sugere que emoções humanas, do jeito que são, não são suficientes — elas precisam ser compreendidas, lapidadas e, talvez, melhoradas.

Isso explica a estrutura confusa para alguns: não se trata de um enredo linear, mas de um processo. O filme não entrega todas as respostas sobre o projeto, o meteoro ou o futuro da Terra, e isso pode frustrar. Ainda assim, ele cumpre bem sua proposta principal: provocar reflexão e manter o espectador envolvido.

Talvez faltasse mais tempo para desenvolver o universo fora da simulação, mas o impacto emocional da jornada de An-Na sustenta a experiência.

Nota: ★★★★☆ (4/5)
Um sci-fi ambicioso que mistura catástrofe, simulação e emoção humana, acertando na ideia central mesmo deixando perguntas em aberto.

A Grande Inundação termina deixando perguntas no ar — e essa parece ser a intenção.
Você saiu confuso ou tocado?
Talvez as duas coisas façam parte do mesmo aprendizado.

Veja mais detalhes curiosos sobre a produção clicando aqui.

Esse vídeo tem legenda em português.

Até o próximo post!!
Marcela Fábio
CEO e Editora Chefe
Imagem: Divulgação

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