Um BL taiwanês delicado sobre juventude, silêncio e o peso de existir fora da norma
Hoje trago para vocês um filme!
Algumas histórias não gritam. Elas permanecem. Your Name Engraved Herein é assim: um filme que se infiltra devagar, ocupa o peito e nos obriga a encarar o que acontece quando amar não é apenas um sentimento — é um ato de coragem.
Sinopse (sem spoilers)
Ambientado no fim dos anos 1980, logo após o fim da lei marcial em Taiwan, o longa acompanha dois estudantes de um colégio católico masculino que constroem um vínculo intenso, cheio de descobertas, medo e desejo. Entre regras religiosas, pressões familiares e um país aprendendo a respirar liberdade, eles tentam entender quem são — e até onde podem ir sem se perder de si mesmos.
Por que esse filme importa
Dirigido por Patrick Liu, o filme foge de qualquer romantização fácil. Aqui, o amor não é vitrine: é conflito interno, é silêncio que machuca, é escolha que custa caro.
A narrativa trata a vivência gay adolescente com um respeito raro. Não há fetichização, não há pressa em agradar. Existe humanidade. E isso faz toda a diferença.
A fotografia aposta em tons suaves, quase melancólicos, como se cada enquadramento carregasse o peso do que não pode ser dito. A trilha sonora, discreta e emocional, funciona como um segundo diálogo — aquele que os personagens não conseguem verbalizar.
Ficha técnica
- Título original: Your Name Engraved Herein
- Ano: 2020
- País: Taiwan
- Direção: Patrick Liu
- Gênero: Drama, Romance, BL
- Duração: 114 minutos
- Streaming no Brasil: Netflix
Bastidores e curiosidades
- O filme foi inspirado em experiências pessoais do diretor, o que explica o tom íntimo e quase confessional da narrativa.
- Tornou-se um dos filmes LGBTQIA+ de maior bilheteria da história de Taiwan.
- O título faz referência direta à ideia de memória afetiva: nomes, pessoas e sentimentos que permanecem gravados, mesmo quando o tempo tenta apagar.
- Mais um trabalho impecável do ator Tseng Jing-hua
Mais do que um romance
Your Name Engraved Herein não é apenas sobre dois garotos. É sobre o que acontece quando a sociedade ensina você a se esconder antes mesmo de entender quem é. É sobre escolhas que não são livres, sobre o medo de decepcionar, sobre o amor que precisa sobreviver ao silêncio.
É um filme que dói porque é honesto. E é bonito exatamente por isso.
Algumas histórias não pedem aplauso. Pedem escuta. Se você estiver disposto a sentir — de verdade —, este filme vai ficar com você muito depois dos créditos finais.
Esse vídeo não tem legenda em português.
por Kyara Y.
Colunista digital do Doramazine
Imagem: Divulgação
