Entre palácios, ramyeon, encontros à beira do rio e saunas, os doramas revelam hábitos e lugares que fazem parte da vida sul-coreana.
Quando a Coreia dos doramas encontra a Coreia real
Quem acompanha doramas sul-coreanos provavelmente já reconhece a cena antes mesmo de saber o que acontecerá: duas pessoas sentadas diante de uma loja de conveniência, uma panela de ramyeon fumegando, o rio Han iluminado ao fundo e uma conversa capaz de mudar o rumo da história.
Em outro episódio, o cenário pode ser completamente diferente. Um palácio da dinastia Joseon surge atrás dos protagonistas vestidos com hanbok. Ou uma sauna se transforma no lugar perfeito para descansar, comer ovos e revelar segredos.
Essas imagens não existem apenas para deixar os doramas mais bonitos. Muitas delas estão ligadas a hábitos, espaços públicos e referências históricas reais da Coreia do Sul. É justamente aí que assistir a um dorama pode se transformar em uma pequena viagem cultural.
Curiosidades da Coreia do Sul que aparecem nos doramas
1. Lojas de conveniência são quase uma extensão da vida cotidiana
As lojas de conveniência aparecem tantas vezes nos doramas que podem parecer apenas uma escolha prática para as filmagens. Entretanto, elas realmente possuem uma presença marcante no cotidiano sul-coreano.
Muitas funcionam 24 horas e oferecem muito mais do que bebidas e pequenos lanches. É possível encontrar refeições prontas, gimbap triangular, bebidas quentes, café, doces e uma enorme variedade de ramyeon.
Em algumas lojas há água quente e equipamentos próprios para preparar os noodles. Por isso, aquelas cenas em que os personagens compram comida e fazem a refeição ali mesmo não são uma invenção dos roteiristas.
É um detalhe aparentemente simples, mas muito interessante: os doramas conseguem transformar um espaço extremamente cotidiano em cenário para encontros, despedidas, confidências e romances.
2. Comer ramyeon diante do rio Han é uma experiência real
O rio Han, ou Hangang, é praticamente um personagem recorrente das produções ambientadas em Seul.
Seus parques aparecem em encontros românticos, passeios de bicicleta, piqueniques, conversas entre amigos e momentos em que os protagonistas precisam ficar sozinhos para organizar os pensamentos.
E existe uma experiência que atravessou a tela: preparar ramyeon nas lojas de conveniência próximas aos parques.
Em muitos estabelecimentos à margem do Hangang, o visitante compra o pacote de noodles e utiliza uma máquina de cozimento automático. Depois, basta procurar um lugar para sentar e aproveitar a paisagem.
Uma das áreas mais conhecidas é o Yeouido Hangang Park, facilmente associado à imagem moderna de Seul.
A primavera e o outono costumam proporcionar temperaturas especialmente agradáveis para piqueniques. No verão, o calor e a umidade podem ser intensos, enquanto o inverno exige roupas adequadas para temperaturas bastante baixas.
3. A N Seoul Tower é realmente um lugar de encontros
Há poucos cenários capazes de transmitir tão rapidamente a sensação de estar em um dorama quanto a N Seoul Tower.
Instalada no monte Namsan, a torre apareceu ou foi associada a produções como Boys Over Flowers, My Love from the Star, The Legend of the Blue Sea e True Beauty.
Os famosos cadeados presos às estruturas do local ajudaram a consolidar sua imagem romântica. Casais deixam cadeados como símbolo de seus relacionamentos, embora essa tradição turística não deva ser confundida com um antigo costume coreano.
Endereço: 105 Namsangongwon-gil, Yongsan-gu, Seul.
O observatório funciona atualmente das 10h às 22h30 de segunda a sexta-feira e das 10h às 23h aos sábados e domingos. O ingresso informado para o observatório é de ₩29.000 para adultos e ₩23.000 para crianças de 3 a 12 anos e idosos a partir de 65 anos.
Para quem busca aquela atmosfera iluminada tantas vezes vista nas produções, o fim da tarde tem uma vantagem especial: permite acompanhar a mudança da paisagem até as luzes de Seul dominarem o horizonte.
Em períodos movimentados e principalmente nos fins de semana, é prudente considerar tempo adicional para deslocamento, filas e acesso ao observatório.
4. Os palácios dos dramas históricos continuam no coração de Seul
Os sageuks, como são conhecidos os dramas históricos coreanos, transportam o público para períodos de reis, rainhas, príncipes, estudiosos e disputas políticas. Embora cenários construídos sejam amplamente utilizados pela indústria audiovisual, parte dessa herança histórica pode ser encontrada na Seul contemporânea.
O Gyeongbokgung é um dos exemplos mais importantes.
Construído originalmente em 1395, durante o início da dinastia Joseon, foi o principal palácio real da nova capital. Sua história atravessou destruições, reconstruções e períodos turbulentos da história coreana.
Hoje, caminhar por seus pátios permite compreender melhor elementos arquitetônicos que aparecem constantemente nos dramas históricos.
Endereço: 161 Sajik-ro, Jongno-gu, Seul.
Os horários variam conforme a estação: normalmente das 9h às 17h entre novembro e fevereiro, até 18h entre março e maio e entre setembro e outubro, e até 18h30 entre junho e agosto. A última entrada ocorre uma hora antes do fechamento. O Gyeongbokgung fecha regularmente às terças-feiras, salvo exceções previstas no calendário oficial.
Há ainda um detalhe querido pelos viajantes: visitantes usando hanbok de acordo com as regras estabelecidas para o traje têm direito à entrada gratuita nos palácios administrados pelo governo.
Vale lembrar que vestir hanbok em um palácio histórico pede respeito. Não se trata simplesmente de uma fantasia para fotografias, mas de uma oportunidade de contato com uma importante expressão da cultura coreana.
5. O hanbok conta muito mais do que uma história de amor
Nos dramas históricos, cores, tecidos e formatos das roupas ajudam a construir visualmente o período e a posição dos personagens.
O hanbok possui uma longa trajetória e passou por transformações ao longo dos séculos. Portanto, o figurino visto em um drama ambientado em determinada época não representa necessariamente toda a história da vestimenta coreana.
Também existe o hanbok contemporâneo, com interpretações adaptadas à vida moderna.
Para visitantes, alugar um traje nas proximidades dos palácios tornou-se uma experiência turística bastante popular. Ainda assim, compreender seu contexto deixa a experiência muito mais interessante do que simplesmente reproduzir uma fotografia vista nas redes sociais.
6. Bukchon parece cenário de dorama porque realmente já foi um
Entre Gyeongbokgung e Changdeokgung encontra-se uma das regiões históricas mais conhecidas de Seul: Bukchon Hanok Village.
As construções tradicionais chamadas hanok, as ruas estreitas e as colinas fazem a região parecer naturalmente cinematográfica. A área de Bukchon foi utilizada, por exemplo, em filmagens de True Beauty.
Mas existe uma diferença importante entre visitar um cenário construído e caminhar por Bukchon: o bairro possui moradores.
Por isso, silêncio, respeito às propriedades particulares e atenção às restrições de circulação são essenciais. Uma fotografia bonita nunca deve valer o desconforto de quem vive ali.
O início da manhã costuma proporcionar uma experiência mais tranquila. Primavera e outono também combinam especialmente bem com caminhadas pela região.
7. Jjimjilbang: aquela sauna dos doramas existe mesmo
Personagens usando roupas iguais, toalhas dobradas sobre a cabeça, ovos cozidos e copos de uma bebida adocicada aparecem em diversas comédias e dramas familiares.
O cenário é o jjimjilbang, uma forma coreana de complexo de sauna e descanso.
Normalmente, há áreas de banho separadas por gênero e espaços compartilhados onde os visitantes usam roupas fornecidas pelo estabelecimento. Dependendo do local, também podem existir diferentes salas aquecidas, áreas para descanso, alimentação, massagens e entretenimento.
Uma combinação tradicionalmente associada à experiência é comer ovos assados acompanhados de sikhye, bebida doce preparada à base de arroz.
Existe ainda uma diferença cultural importante para quem visita pela primeira vez: nas áreas de banho segregadas por gênero, a nudez é habitual. Já nos ambientes compartilhados, são utilizadas as roupas fornecidas pelo estabelecimento.
Os preços e horários variam bastante entre os jjimjilbang, portanto devem ser consultados diretamente no estabelecimento escolhido.
8. Tirar os sapatos não é apenas uma cena de dorama
Quando um personagem chega a uma casa coreana e imediatamente deixa os sapatos na entrada, o gesto possui uma explicação cotidiana.
Tradicionalmente, o piso da residência é considerado uma área limpa e existe uma forte cultura de retirar os calçados externos antes de entrar.
Isso também está relacionado à maneira como os espaços domésticos foram utilizados historicamente e ao ondol, sistema tradicional coreano de aquecimento pelo piso.
Por essa razão, sentar-se e até dormir próximo ao chão aparece com naturalidade em produções coreanas. O que para parte do público estrangeiro pode parecer apenas uma escolha cenográfica está profundamente relacionado à história da habitação na península coreana.
9. O respeito pela idade aparece até na maneira de falar
Uma das curiosidades mais difíceis de perceber apenas pelas legendas está no idioma.
A língua coreana possui diferentes níveis de formalidade e formas de tratamento. Idade, intimidade, posição profissional e contexto social podem influenciar a maneira como alguém se dirige a outra pessoa.
É por isso que perguntas sobre idade podem surgir relativamente cedo em determinados encontros: saber a idade ajuda a compreender qual relação social e linguística será estabelecida.
Palavras como oppa, unnie, hyung e noona, tão familiares aos fãs, também dependem da relação entre as pessoas e não devem ser entendidas simplesmente como apelidos românticos.
Um oppa, por exemplo, não é automaticamente um namorado. O contexto é fundamental.
10. Comer juntos tem um significado especial
Poucas coisas aproximam personagens de um dorama tanto quanto uma mesa.
Churrasco coreano, tteokbokki, gimbap, frango frito, jjajangmyeon, sopas fumegantes e pequenas porções de acompanhamentos aparecem continuamente porque a comida ocupa um lugar importante na sociabilidade.
Até a frase equivalente a perguntar se alguém já comeu pode carregar uma dimensão de cuidado dependendo da situação.
Talvez por isso tantas declarações, reconciliações e conversas difíceis aconteçam diante de uma refeição.
Nos doramas, a mesa não serve apenas para alimentar os personagens. Muitas vezes, é onde as relações começam a mudar.
A Coreia do Sul que continua depois dos créditos
Doramas e filmes não são documentários sobre a Coreia do Sul, e seria um erro imaginar que todas as famílias, relacionamentos ou rotinas do país funcionam exatamente como aparecem na ficção.
Mas existe algo fascinante nessas produções: entre romances, mistérios e histórias familiares, pequenos fragmentos da vida coreana atravessam a tela.
O ramyeon diante do Hangang, o silêncio diante de um palácio centenário, os sapatos deixados na entrada, uma palavra escolhida de acordo com a idade e até uma simples refeição compartilhada podem revelar histórias muito maiores.
Na próxima vez que uma dessas cenas aparecer em um dorama, talvez seja impossível enxergá-la da mesma maneira.
Qual dessas curiosidades da Coreia do Sul já havia chamado atenção durante um dorama? Compartilhe com outros fãs e indique aquela produção que despertou a vontade de conhecer o país além das telas.
A gente se encontra na próxima!
Roberta Cruz
Redatora Colaboradora
Texto e Imagem: Doramazine








