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ENHYPEN e o limite que nenhum fandom pode cruzar

Fandom ENHYPEN: A dor de uma fã nos força a questionar: até onde vai a lealdade?

A morte de uma fã japonesa nos obriga a encarar uma pergunta dolorosa: em que momento defender um ídolo passou a valer mais do que proteger uma vida?

Há notícias que chegam até nós como informação. Outras chegam como um incômodo que permanece mesmo depois de fecharmos a tela. A morte de uma fã japonesa de 26 anos do ENHYPEN, conhecida nas redes como Mina, pertence ao segundo grupo. Não porque seja necessário transformar sua história em espetáculo, mas justamente porque talvez esteja na hora de fazermos o contrário: desligar por alguns minutos o ruído das redes e lembrar que, atrás de cada perfil, existe uma pessoa.

Mina se viu no centro de uma controvérsia depois de acontecimentos envolvendo uma interação que desejava ter com NI-KI durante um show e das discussões que vieram posteriormente. A situação cresceu nas redes, interpretações foram multiplicadas e ela passou a receber ataques. Há aspectos do episódio que continuam sendo investigados e outros que permanecem no campo das interpretações dos fãs. Por isso, seria irresponsável transformar suposições em verdades ou escolher rapidamente um culpado. Mas existe algo sobre o qual não deveríamos precisar discutir: nenhuma divergência dentro de um fandom justifica humilhação, perseguição ou assédio.

Quem acompanha a cultura dos fandoms asiáticos sabe o quanto essas comunidades podem ser bonitas. Elas atravessam idiomas e oceanos, organizam projetos, fazem doações, celebram aniversários de artistas e criam amizades entre pessoas que talvez jamais tivessem se encontrado. No K-pop, existe até uma identidade própria para essa relação: o fã ganha um nome, uma cor, símbolos e um sentimento de pertencimento. ENGENE nasceu justamente dessa ideia de conexão. E talvez seja por isso que episódios como este sejam tão dolorosos. Uma comunidade criada para compartilhar afeto não pode normalizar crueldade em nome desse mesmo afeto.

Defender um artista não significa atacar uma pessoa.

Essa frase deveria ser simples demais para precisar ser escrita. Infelizmente, não é.

Existe uma fronteira perigosa quando admirar alguém deixa de ser alegria e se transforma em vigilância permanente sobre o comportamento dos outros fãs. Quem pode chegar perto, quem merece determinada interação, quem interpretou corretamente uma fala, quem é “fã de verdade”. De repente, pessoas que provavelmente jamais diriam certas palavras olhando nos olhos de alguém passam a escrevê-las diante de milhares de espectadores. Um comentário se soma a outro, depois outro, depois centenas. Para quem participa do ataque, talvez seja apenas uma frase digitada em segundos. Para quem recebe, são centenas de vozes entrando pela mesma janela.

E aqui precisamos ter coragem para olhar também para nós mesmos.

Quantas vezes compartilhamos uma publicação sem conhecer toda a história? Quantas vezes curtimos uma humilhação porque concordávamos com quem estava sendo defendido? Quantas vezes confundimos crítica com linchamento virtual? A cultura digital nos acostumou perigosamente à ideia de que existe sempre alguém que precisa ser escolhido como vilão. Doramas fazem isso muito bem na ficção: apresentam conflitos, revelam motivações e, algumas vezes, nos mostram que aquela personagem que julgamos nos primeiros episódios carregava dores que desconhecíamos. Na vida real, porém, não existe episódio seguinte capaz de corrigir determinadas palavras.

Também não seria justo transformar essa tragédia em uma nova onda de ataques, agora contra NI-KI, contra o ENHYPEN ou contra fãs específicos sem que responsabilidades individuais estejam devidamente estabelecidas. Combater violência digital produzindo mais violência digital apenas muda o alvo. Não muda o problema.

Depois de tantos anos observando como a cultura pop asiática aproxima pessoas tão diferentes, continuo acreditando que ser fã deveria ampliar nossa capacidade de sentir, não diminuí-la. Gostar profundamente de um artista não nos concede o direito de destruir emocionalmente alguém que gosta dele de maneira diferente. Nenhum photocard, interação, fancall, lugar próximo ao palco ou reconhecimento de um idol vale a dignidade de outra pessoa.

Talvez a homenagem mais importante que uma comunidade possa fazer diante de uma história tão triste seja aprender alguma coisa com ela.

Antes de publicar aquela resposta cruel, pare. Antes de participar de um ataque coletivo, pense. Antes de transformar uma pessoa desconhecida em personagem de uma narrativa construída nas redes, lembre-se de que existe uma vida inteira do outro lado da tela.

Continuemos ouvindo ENHYPEN. Continuemos acompanhando nossos artistas, comprando álbuns, assistindo aos shows e celebrando aquilo que nos faz felizes. Mas que nenhuma paixão nos faça esquecer aquilo que deveria vir antes de qualquer fandom: humanidade.

Se você participa de comunidades de K-pop, compartilhe esta reflexão e converse sobre o assunto com outros fãs. Talvez não possamos mudar tudo o que acontece nas redes, mas podemos decidir que tipo de fã queremos ser quando ninguém está nos obrigando a escolher a gentileza.

Até o próximo post!!
Marcela Fábio
CEO e Editora Chefe
Texto e Imagem: Doramazine

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