Mirai Moriyama e Sairi Ito conduzem um melancólico filme japonês sobre amores perdidos, escolhas e a passagem inevitável do tempo.
Existem relacionamentos que terminam, mas parecem continuar vivendo discretamente dentro de você. Uma música, uma rua, uma fotografia ou até uma inesperada sugestão nas redes sociais pode ser suficiente para trazer de volta uma época que parecia definitivamente encerrada.
É justamente essa sensação que conduz Não Deveríamos Ter Crescido (We Couldn’t Become Adults), filme japonês de 2021 dirigido por Yoshihiro Mori. Estrelado por Mirai Moriyama e Sairi Ito, o longa atravessa diferentes momentos da vida de um homem que, já na meia-idade, começa a revisitar as pessoas, os sonhos e principalmente o amor que marcaram sua juventude.
Não espere um romance construído para idealizar o passado. Aqui, você encontra algo mais agridoce: a percepção de que crescer também significa olhar para trás e tentar compreender quem você foi, quem imaginava que seria e quem acabou se tornando.
Se você aprecia filmes japoneses contemplativos e histórias nas quais os pequenos momentos dizem muito, vale conhecer essa viagem pela memória.
Sinopse de Não Deveríamos Ter Crescido — sem spoilers
Makoto Sato (Mirai Moriyama) está na casa dos 40 anos quando um acontecimento aparentemente banal desencadeia uma sucessão de lembranças.
Ao encontrar nas redes sociais o perfil de Kaori (Sairi Ito), uma antiga namorada, ele acaba retornando mentalmente aos anos em que os dois estiveram juntos.
A partir desse momento, o filme começa a percorrer diferentes períodos da vida de Makoto.
Você conhece o jovem que, na década de 1990, ainda tentava descobrir o que desejava fazer da vida. É nesse período que Kaori surge em seu caminho e se transforma em uma presença decisiva. O relacionamento dos dois passa a representar não apenas um amor importante, mas também uma época em que possibilidades, sonhos e expectativas ainda pareciam estar abertas.
Os anos avançam. Pessoas chegam e desaparecem, empregos mudam, relacionamentos terminam e Tóquio também se transforma.
Makoto continua vivendo, mas existe uma pergunta silenciosa acompanhando sua trajetória: em que momento aquele jovem cheio de possibilidades se tornou o homem que ele é no presente?
Não Deveríamos Ter Crescido transforma essa pergunta em uma viagem pela memória, mostrando como determinados encontros permanecem conosco mesmo quando a vida segue em outra direção.
Ficha técnica
- Título original: ボクたちはみんな大人になれなかった
- Romanização: Bokutachi wa Minna Otona ni Narenakatta
- Título em inglês: We Couldn’t Become Adults
- Título no Brasil: Não Deveríamos Ter Crescido
- Direção: Yoshihiro Mori (森義仁)
- Roteiro: Ryō Takada (高田亮)
- Baseado no romance de: Moegara (燃え殻)
- Ano de lançamento: 2021
- País de origem: Japão
- Gênero: Drama e romance
- Elenco principal:
- Mirai Moriyama (森山未來),
- Sairi Ito (伊藤沙莉),
- Masahiro Higashide (東出昌大),
- SUMIRE (スミレ),
- Atsushi Shinohara (篠原篤),
- Takehiro Hira (平岳大),
- Yuko Oshima (大島優子)
- Masato Hagiwara (萩原聖人)
- Duração: 2h04min
- Onde assistir: Netflix
Bastidores
Um dos elementos mais interessantes de Não Deveríamos Ter Crescido está na maneira como sua estrutura narrativa também influenciou as gravações.
A história percorre diferentes períodos da vida de Makoto e faz esse caminho predominantemente em direção ao passado. Para acompanhar essa proposta, Mirai Moriyama revelou que as filmagens foram realizadas, sempre que possível, seguindo o mesmo movimento apresentado pelo filme: do presente para os anos anteriores. Mudanças no cabelo e na aparência ajudaram a marcar visualmente a passagem entre as épocas.
Esse método também criou uma situação especialmente interessante para o primeiro encontro entre Makoto e Kaori. Não Deveríamos Ter Crescido foi o primeiro trabalho de Mirai Moriyama e Sairi Ito juntos, e parte do estranhamento natural entre os atores pôde contribuir para a sensação de duas pessoas que ainda estão descobrindo uma à outra.
O filme também marcou a estreia de Yoshihiro Mori na direção de um longa-metragem. Antes disso, ele já havia trabalhado com comerciais, videoclipes e televisão, incluindo a direção da série japonesa Love and Fortune.
Outro desafio estava em recriar diferentes momentos de Tóquio. A narrativa passa pela cultura urbana dos anos 1990 e acompanha transformações que chegam até 2020, período marcado pela pandemia. Dessa forma, roupas, cabelos, música, espaços urbanos e referências culturais ajudam você a identificar não apenas quando determinada cena acontece, mas também como o mundo de Makoto foi se modificando.
Curiosidades
- O filme nasceu de um livro: a produção adapta o romance de estreia do escritor japonês Moegara, que começou a desenvolver a história originalmente na internet antes de sua publicação em livro.
- A narrativa atravessa décadas: você acompanha Makoto desde sua juventude nos anos 1990 até a meia-idade, permitindo que mudanças pessoais e transformações de Tóquio caminhem juntas.
- Mirai Moriyama interpreta diferentes idades: o ator assume Makoto desde o início da vida adulta até os 40 anos, fazendo com que sua transformação física e emocional seja parte essencial do filme.
- Sairi Ito interpreta Kaori: a atriz dá vida à mulher que se torna uma das lembranças mais importantes da juventude de Makoto e influencia profundamente a maneira como ele observa o próprio passado.
- As redes sociais funcionam como gatilho para a memória: uma interação envolvendo uma antiga namorada faz Makoto revisitar acontecimentos que acreditava ter deixado para trás.
- O título japonês é especialmente significativo: ボクたちはみんな大人になれなかった pode ser entendido como “Todos nós não conseguimos nos tornar adultos”, ideia que dialoga diretamente com a melancolia e as frustrações da história.
- O longa chegou ao streaming e aos cinemas no mesmo dia: no Japão, o filme estreou nos cinemas selecionados em 5 de novembro de 2021, data em que também foi disponibilizado mundialmente pela Netflix.
- A produção olha para a cultura dos anos 1990: além do relacionamento central, referências a lugares, músicas e à vida cultural japonesa ajudam a construir a nostalgia daquele período.
Talvez a característica mais bonita do filme seja a maneira como ele evita transformar nostalgia em simples saudade.
Quando Makoto olha para trás, você não encontra apenas uma época que gostaria de recuperar. Existem oportunidades perdidas, relações interrompidas, decisões questionáveis e aquela sensação desconfortável de perceber que alguns sonhos desapareceram sem que houvesse um momento específico de despedida.
A estrutura temporal reforça essa experiência. Em vez de simplesmente acompanhar um homem envelhecendo, você percorre suas lembranças e vai conhecendo versões cada vez mais jovens daquele personagem.
Quanto mais próximo do passado o filme leva você, mais fácil se torna compreender o peso que determinadas pessoas adquiriram no presente.
E Kaori ocupa um espaço fundamental nessa memória.
A química delicada entre Mirai Moriyama e Sairi Ito evita transformar a relação em um romance excessivamente idealizado. São justamente os silêncios, conversas e pequenas particularidades dos personagens que fazem aquele período parecer tão importante.
Você pode terminar o filme pensando menos sobre com quem Makoto deveria ter ficado e mais sobre algo muito mais pessoal: quantas versões de você ficaram pelo caminho enquanto você crescia?
Não Deveríamos Ter Crescido fala sobre amor, mas talvez fale ainda mais sobre tempo.
Sobre aquelas pessoas que um dia ocuparam quase todos os nossos pensamentos e que, anos depois, existem principalmente nas lembranças. Sobre sonhos que pareciam enormes e foram silenciosamente substituídos por compromissos cotidianos. E sobre a estranha experiência de perceber que crescer nem sempre significa se tornar aquilo que você imaginava.
Se você procura um filme japonês sensível, melancólico e interessado nas imperfeições da vida adulta, permita que Makoto conduza você por essa viagem ao passado.
Depois de assistir, talvez uma lembrança sua também reapareça. Conte qual momento do filme mais tocou você e indique Não Deveríamos Ter Crescido para aquele fã de cinema japonês que também guarda carinho por histórias sobre amores que o tempo não conseguiu apagar completamente.
Esse vídeo tem legenda em português desde que esteja configurada no seu YouTube.
Até o próximo post!!
Marcela Fábio
CEO e Editora Chefe
Texto e Imagem: Doramazine
Texto Atualizado em agosto de 2026







