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K-pop faz história em sua primeira noite no Rock in Rio

Star Kids, Hwasa e NEXZ transformaram o Palco Mundo em um mar de lightsticks, enquanto Alok entrou no clima coreano com uma surpresa ligada ao TWICE.

K-pop finalmente conquista a Cidade do Rock

Foram necessárias mais de quatro décadas para que o K-pop ganhasse uma noite para chamar de sua no Rock in Rio. Em 11 de setembro de 2026, a Cidade do Rock viveu uma mudança de cenário: lightsticks, fan chants, coreografias e milhares de fãs transformaram o Palco Mundo em um enorme encontro entre a cultura pop sul-coreana e o público brasileiro.

O momento era simbólico. Pela primeira vez, o principal palco do festival recebeu uma programação construída essencialmente em torno do K-pop: NEXZ abriu a sequência, Hwasa assumiu o palco no início da noite e Stray Kids ficou responsável pelo encerramento, enquanto Alok ocupou o intervalo com o espetáculo Keep Art Human — e encontrou uma maneira de entrar no universo da programação.

A noite ainda produziu cenas que dificilmente serão esquecidas pelos fãs: artistas falando português, Hwasa chegando perto da plateia, uma música do MAMAMOO aparecendo em formato de medley, Bang Chan cantando Michel Teló e até uma parceria inédita envolvendo Alok e TWICE.

Mais do que uma estreia, foi uma daquelas noites que ajudam a explicar o tamanho que o K-pop alcançou no Brasil.

NEXZ abre oficialmente as portas do Rock in Rio ao K-pop


A responsabilidade de inaugurar essa história ficou nas mãos de um dos grupos mais jovens da programação. NEXZ (넥스지) subiu ao Palco Mundo às 16h40 e encontrou uma Cidade do Rock que já estava tomada por fãs esperando horas pelos artistas seguintes.

Formado por Tomoya, Yu, Haru, So Geon, Seita, Hyui e Yuki, o grupo apostou justamente naquilo que ajudou a construir sua identidade: muita dança, coreografias precisas, acrobacias e uma energia quase inesgotável.

E havia um detalhe importante: era a primeira apresentação do NEXZ no Brasil.

Os integrantes entenderam rapidamente que a melhor maneira de quebrar a distância entre palco e plateia seria tentar falar diretamente com os brasileiros. As apresentações em português provocaram gritos imediatos, enquanto bandeiras do Brasil, leques e lightsticks apareciam pelo público.

O repertório passou por músicas como “Beat-Boxer”, “O-RLY?”, “Simmer”, “HARD”, “I’m Him”, “Want More? One More!”, “Next Zeneration”, “LOCO”, “APPETITE”, “Mmchk” e “SAUCIN’”.

A curiosidade que chamou atenção

O NEXZ ainda está construindo sua discografia, e isso criou uma situação incomum para um show no gigantesco Palco Mundo: faltavam músicas para preencher todo o tempo disponível.

A solução foi transformar algumas faixas em novos momentos do espetáculo. “Next Zeneration” e “LOCO” reapareceram, enquanto “SAUCIN’” acabou sendo apresentada três vezes ao longo do show.

Em vez de esfriar a plateia, a repetição virou praticamente uma celebração da música.

Outro momento de aproximação aconteceu quando os integrantes deixaram a segurança do palco para chegar mais perto dos fãs. Para um grupo tão novo, estrear no Brasil justamente diante de uma plateia do Rock in Rio foi uma entrada bastante incomum no mercado latino-americano.

E o NEXZ ainda tinha acabado de fazer algo que nenhum outro boy group coreano havia feito: ser o primeiro a abrir oficialmente uma programação de K-pop no Palco Mundo.

Hwasa transforma estreia solo em reencontro com o Brasil

Se o NEXZ abriu a porta, Hwasa (화사) mostrou por que sua presença era uma das mais aguardadas da programação.

Às 19 horas, a integrante do MAMAMOO (마마무) chegou com bailarinos, banda ao vivo e uma apresentação construída para ocupar a dimensão do Palco Mundo.

Mas antes mesmo da primeira música aconteceu uma cena reveladora sobre o tamanho daquela noite.

A concentração de pessoas perto da grade ficou tão intensa que a organização precisou pedir ao público que recuasse alguns passos antes de permitir o início do espetáculo. A mensagem permaneceu nos telões enquanto a equipe reforçava que a apresentação só começaria quando houvesse espaço suficiente para garantir a segurança dos fãs.

Quando a situação foi reorganizada, Hwasa entrou e rapidamente transformou tensão em festa.

A cantora percorreu diferentes momentos de sua carreira solo com “HWASA”, “Chili”, “I Love My Body”, “TWIT”, “Kidding”, “NA”, “EGO”, “Don’t”, “I’m a B”, “So Cute”, “Maria” e “Good Goodbye”.

Entre vocais, dança e uma banda que deu mais peso aos arranjos, Hwasa conseguiu fazer uma apresentação que funcionava tanto para quem acompanha sua carreira solo quanto para quem chegou ao festival carregando o tradicional lightstick em formato de rabanete do MAMAMOO.

O presente secreto para os MooMoos

Foi justamente aí que veio uma das maiores surpresas.

Hwasa preparou um medley de “Décalcomanie”, “Egotistic”, “Starry Night” e “HIP”, trazendo quatro músicas do MAMAMOO para o Palco Mundo.

O detalhe tornava aquele momento ainda mais especial: sua relação com os fãs brasileiros não começou em 2026.

Hwasa já havia estado no Brasil com o MAMAMOO em 2018. Oito anos depois, retornava em uma situação completamente diferente: agora como solista, diante de uma multidão em um dos maiores palcos do país.

O “eu te amo” que nasceu nos bastidores

Uma das cenas mais espontâneas do show começou antes de Hwasa entrar no palco.

Nos bastidores, a cantora aprendeu a dizer “eu te amo” em português. Ela decidiu guardar a frase para a apresentação e a reação foi exatamente a esperada: gritos imediatos vindos da plateia.

A conexão foi além das palavras.

Durante “So Cute”, Hwasa desceu para ficar perto dos fãs e chegou a abraçar pessoas na plateia. No encerramento, apareceu com a bandeira brasileira.

Existe ainda uma curiosidade deliciosa envolvendo “Maria”, provavelmente uma das músicas mais reconhecidas de sua carreira. Hwasa foi batizada no catolicismo com o nome Maria e ficou surpresa ao descobrir como o nome é popular no Brasil. A própria cantora comentou que sente uma espécie de espírito brasileiro na faixa.

Ela também não conseguiu explorar muito o Rio durante a passagem — além de conhecer um pouco da praia —, mas deixou aberta a possibilidade de retornar ao país.

Alok entra na noite do K-pop e traz TWICE para a história

Entre Hwasa e Stray Kids havia um brasileiro no Palco Mundo.

Mas Alok não ignorou o contexto da noite.

O DJ apresentou Keep Art Human, espetáculo que combinou música eletrônica, coreografia, efeitos visuais e tecnologia. A dimensão da produção impressionava por si só: 1.500 drones foram utilizados sobre a Cidade do Rock, além de 45 bailarinos do grupo italiano Urban Theory.

Os drones formaram imagens no céu enquanto fogo, iluminação e efeitos transformavam o palco em uma experiência visual gigantesca.

A proposta do espetáculo carregava uma aparente contradição de propósito: usar intensamente a tecnologia para defender a importância da criatividade humana em um mundo cada vez mais atravessado pela inteligência artificial.

Mas havia uma surpresa especialmente preparada para aquela sexta-feira.

TWICE aparece no set de Alok

Alok aproveitou justamente a primeira noite de K-pop do festival para apresentar “Inhibition”, colaboração inédita com TWICE (트와이스) e o DJ Mesto.

Era uma maneira bastante direta de conectar seu show ao restante da programação.

O DJ ainda tocou músicas associadas ao universo do K-pop, incluindo BLACKPINK, fazendo com que a transição entre Hwasa e Stray Kids não representasse exatamente uma ruptura com o clima da noite.

A presença de Alok entre os artistas coreanos havia despertado curiosidade desde o anúncio da programação. No palco, ele próprio brincou com o assunto e usou a reação do público como resposta.

E então chegou a hora do Stray Kids

Pouco depois da meia-noite, a espera terminou.

Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, HAN, Felix, Seungmin e I.N entraram no Palco Mundo diante de uma das maiores concentrações de fãs de K-pop já vistas no Brasil.

O Stray Kids (스트레이 키즈) não era apenas a última atração daquela sexta-feira. O grupo carregava a responsabilidade de encerrar a primeira grande noite dedicada ao gênero na história do festival.

A apresentação começou pouco depois das 0h05 e seguiu por aproximadamente uma hora e meia.

O repertório foi praticamente uma maratona.

Passaram pelo show músicas como “TOPLINE”, “S-Class”, “Bounce Back”, “MANIAC”, “DOMINO”, “Thunderous”, “DIVINE”, “God’s Menu”, “Walkin on Water”, “Chk Chk Boom”, “LALALALA”, “Social Path”, “Side Effects”, “Do It”, “CEREMONY”, “Stray Kids”, “After You”, “RUN IT” e “MIROH”.

Em várias delas, os arranjos ganharam versões específicas para o ambiente de festival.

Banda ao vivo mudou o peso das músicas

Um dos elementos que ajudou a diferenciar a apresentação foi a presença de uma banda completa tocando ao vivo.

Para músicas que já combinam hip-hop, eletrônica, rock e produção pesada, a instrumentação deixou faixas como “God’s Menu”, “MANIAC” e “LALALALA” ainda mais próximas da energia esperada de um festival como o Rock in Rio.

Houve também remixes e versões especiais, além de momentos instrumentais destinados à própria banda.

Fogos, fumaça, coreografias e o gigantesco sistema de painéis de LED do Palco Mundo completaram a produção.

Mas a parte mais impressionante do cenário talvez estivesse do outro lado.

Um oceano de lightsticks toma a Cidade do Rock

Pela primeira vez, o Rock in Rio permitiu oficialmente a entrada dos tradicionais lightsticks usados pelos fandoms de K-pop.

O resultado apareceu quando anoiteceu.

Milhares de pontos luminosos preencheram a Cidade do Rock e criaram aquilo que o próprio festival passou a celebrar como o maior “lightstick ocean” da América Latina.

A mudança pode parecer pequena para quem está fora do universo do K-pop, mas tem um enorme significado cultural. Lightsticks não são apenas bastões luminosos: cada grupo possui seu próprio modelo, cores e identidade, funcionando quase como um símbolo oficial de pertencimento ao fandom.

Naquela noite, eles também se tornaram parte da cenografia do Rock in Rio.

Bang Chan ressuscita um clássico brasileiro

Então aconteceu um daqueles momentos que parecem feitos especialmente para viralizar.

Durante o encore, Bang Chan começou a cantar “Ai Se Eu Te Pego”, de Michel Teló.

Para parte dos STAYs, porém, aquilo não era exatamente novidade.

O líder do Stray Kids já havia cantado um trecho da música brasileira anos antes, durante uma transmissão que circulou entre os fãs. No Rock in Rio, ele recuperou a brincadeira diante de uma multidão brasileira.

O resultado foi imediato: dezenas de milhares de pessoas completando a música.

O encore ainda trouxe novamente “This & That” e “Chk Chk Boom”, prolongando a despedida dos oito integrantes.

Um número ajuda a entender o tamanho dessa noite

O impacto do K-pop também apareceu fora dos palcos.

  • O dia 11 estabeleceu um recorde de tráfego de dados móveis durante aquela edição do Rock in Rio entre clientes da TIM. Foram registrados 90,5 terabytes de consumo, volume equivalente a cerca de um terço de tudo o que havia sido utilizado nos quatro primeiros dias do festival.
  • Somente durante o show do Stray Kids, iniciado depois da meia-noite, foram aproximadamente 2,3 terabytes de tráfego.
  • Instagram e WhatsApp ficaram entre os aplicativos mais utilizados.
  • Ou seja: enquanto milhares assistiam ao espetáculo, milhares de vídeos, fotografias e mensagens estavam deixando a Cidade do Rock praticamente em tempo real.
  • O maior show da carreira do Stray Kids
  • Outro número tornou a apresentação ainda mais simbólica.
  • Estimativas divulgadas após o festival colocaram cerca de 100 mil pessoas diante do Stray Kids, transformando a apresentação no maior público de um show da carreira do grupo até aquele momento.
  • A dimensão fica ainda mais evidente quando comparada à passagem anterior dos integrantes pelo Brasil. Em 2025, a turnê dominATE havia reunido dezenas de milhares de STAYs em três apresentações no país.

No Rock in Rio, toda essa energia pareceu condensada em uma única noite.

E havia um componente visual impossível de ignorar: enquanto os oito integrantes dominavam um dos maiores palcos da América Latina, uma multidão segurava lightsticks que, poucos anos antes, dificilmente seriam associados à paisagem tradicional do festival.

A primeira noite de K-pop deixou um recado

NEXZ entrou no palco falando português. Hwasa transformou sua apresentação em um reencontro com fãs brasileiros e levou músicas do MAMAMOO ao festival. Alok conectou música eletrônica e K-pop com TWICE. E Stray Kids encerrou tudo diante de uma multidão, com banda ao vivo, lightsticks e até Michel Teló no repertório improvisado.

O dia 11 de setembro de 2026 não foi apenas a estreia de artistas coreanos no Palco Mundo. Foi a primeira vez em mais de quatro décadas de história que o Rock in Rio construiu sua principal programação em torno do fenômeno cultural que o K-pop se tornou.

Depois dessa noite, uma pergunta naturalmente fica para os próximos capítulos: quais artistas asiáticos deveriam ser os próximos a ocupar a Cidade do Rock?

BTS, BLACKPINK, TWICE, SEVENTEEN, aespa, TXT, ENHYPEN, BIGBANG ou outro nome? Compartilhe esta matéria com outros fãs e conte qual grupo merece escrever o próximo capítulo dessa história no Brasil.

Vamos aos vídeos?

Até o próximo Rock in Rio com mais K-POP!!
Marcela Fábio
CEO e Editora Chefe
Texto e Imagem: Doramazine

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